A 8ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Cocal do Sul foi realizada na noite desta terça-feira (1º de abril). Na Tribuna Legislativa, seis vereadores utilizaram o espaço para discutir temas como a manutenção e segurança dos parques públicos, a coleta de resíduos volumosos, a conscientização sobre o autismo, a violência contra a mulher, a situação dos animais de rua e a recente operação policial que ocorreu no município e em outras cidades da região. Confira os resumos:
Maria Luiza fala sobre licitação alvo de operação do GAECO e diz que passado ainda traz impactos
A vereadora Maria Luiza Da Rolt (PP) abordou na tribuna a operação Control C, deflagrada pelo GAECO e pelo Ministério Público, que investiga uma possível organização criminosa ligada a uma empresa de software contratada por municípios catarinenses. Ela afirmou que isso é ruim para a cidade. “Ainda não temos a noção total das investigações, mas batidas como essa deixam ali um rastro de indícios, eu digo, indícios de corrupção, e isso nos preocupa principalmente enquanto câmara legislativa”. A investigação, no município, está relacionada ao processo de licitação 5/FMS de 2022, que trata da prestação de serviços do sistema utilizado na saúde.
A vereadora explicou que o software gerencia dados da Secretaria de Saúde, como regulação, vacinas, vigilância sanitária, prontuários e integração com o SUS. Maria Luiza destacou a mudança de sistema feita pela prefeitura no final de 2022, quando o município deixou de usar o Saúde Plus, que custava R$ 2.367 mensais, e passou a pagar R$ 19.408 pelo Celk, com um custo de implantação de R$ 96.500. Diante disso, fez questionamentos. “Esse novo sistema vale esse valor? São questionamentos que a gente faz. Ele realmente tem a tecnologia acima das demais que oferecem esse mesmo serviço?”.
Ela também respondeu a críticas recebidas em sessão anterior sobre não ter elogiado e apenas mostrado problemas da antiga administração. Segundo Maria Luiza, “tem vereador ou vereadores que ficaram nos últimos quatro anos só elogiando e, por conta disso, não enxergaram o errado. E hoje colhemos desse mar de elogios as visitas do GAECO, do Grupo Especial, do Ministério Público, que constantemente vem questionando e trazendo inúmeros indícios aí, que nos alertam e nos deixam ainda mais preocupados”. Afirmou que o passado ainda gera consequências no presente e que é preciso responsabilidade. Finalizou dizendo que “quem vive de passado é museu”, mas que, no município, o passado ainda está presente e pode trazer impactos para a população.
Aninha defende criação de comissão para revisar Estatuto dos Servidores Públicos
A vereadora Cirlene Gonçalves Scarpato, a Aninha (PSD), utilizou a tribuna para falar sobre o Projeto de Lei Complementar 1224, que trata do Estatuto dos Servidores Públicos Municipais. Ela destacou que o projeto passou por reavaliação em 2024, chegou à Câmara, mas, por motivos maiores, não foi colocado em votação.
A vereadora sugeriu a criação de uma comissão para analisar a proposta. Segundo ela, o Poder Executivo deveria formar um grupo com servidores públicos e funcionários técnicos para revisar o estatuto antes de enviá-lo novamente ao Legislativo. “Os estudos sobre o Estatuto do Servidor são essenciais para o fortalecimento da administração pública e o aprimoramento da gestão e do serviço prestado à sociedade. Ele garante os direitos e os seus deveres”, afirmou.
Marcel fala sobre início da coleta de lixos volumosos e elogia iniciativa jovem
O vereador Marcel Freitas (PSD) utilizou a tribuna para tratar de diversos temas. Ele justificou sua falta na Sessão Solene de Renovação da Galeria Lilás, ressaltando que acompanhou a sessão à distância e parabenizando todos os envolvidos. Também destacou a importância da conscientização contra a crueldade animal no mês de abril. “Maltratar animais é crime. E a pessoa que faz isso merece realmente pagar seus atos”, afirmou.
Sobre a limpeza urbana, informou o início da retirada de lixo volumoso, como sofás e colchões, dos terrenos baldios. Segundo ele, a coleta passará a ser realizada por agendamento. “O telefone para o agendamento é (48) 3444-6033. Então, após ser feito esse trabalho, quem tiver lixos volumosos em casa pode estar agendando a retirada através desse telefone”, explicou. Freitas ressaltou que o descarte irregular é crime e que o dinheiro investido nesse trabalho poderia ser direcionado para áreas como saúde e educação.
O vereador mencionou a iniciativa de um grupo de jovens que, no último sábado, realizou a limpeza do parquinho do Cristo Rei e reforçou a necessidade de cada cidadão zelar pelos espaços públicos. “Enquanto algumas pessoas acham que não é responsabilidade minha ou de vocês de limparem, e sim da prefeitura, eu quero dizer sim que, na minha opinião, é responsabilidade de todos nós”, disse.
Freitas também abordou a manutenção de parques e academias ao ar livre, mencionando dificuldades com licitações. Explicou que apenas uma empresa se apresentou para realizar os serviços e que, para contratar, são necessários três orçamentos. Pediu que possíveis interessados procurassem a prefeitura.
Finalizando, fez uma breve avaliação da atual administração, destacando que, apesar de estar no quarto mês, já é possível notar avanços. “Quem acompanha o nosso município, sabe que é nítido que as coisas começaram a andar, que as coisas começaram a fluir. A gente já vê a cidade estando um pouco mais organizada”, concluiu.
Glícia destaca Saúde e Bem-Estar, conscientização sobre autismo e combate à violência contra a mulher
A vereadora Glícia Pagnan (MDB) iniciou sua fala mencionando o encerramento do projeto Saúde e Bem-Estar, voltado para mulheres acima de 40 anos. Ela destacou a importância da iniciativa e elogiou sua colega Conceição, do bairro Vila Nova, pela realização do evento, que contou com a presença de representantes do Executivo e Legislativo. “Estivemos presentes, eu, o vereador Chicão e a vice-prefeita Nega, prestigiando aquele momento tão importante para as mulheres”, afirmou.
Em seguida, ressaltou que abril é o mês de conscientização sobre o autismo, citando a importância de disseminar informações sobre o tema. “Quanto mais informação, melhor, porque o que a gente vê na nossa rotina é que as pessoas não sabem, não entendem”, disse. Ela enfatizou que profissionais de diversas áreas ainda enfrentam dificuldades para lidar com o transtorno e defendeu a qualificação dos serviços voltados a esse público. Informou que, até 2024, Santa Catarina havia emitido 28 mil carteiras de identificação para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), número que pode ser ainda maior.
A vereadora também abordou a violência contra a mulher, apresentando dados do Observatório Catarinense de Violência contra a Mulher referentes a Cocal do Sul. Em 2024, o município registrou 73 ameaças, 41 casos de violência física, 22 vias de fato, um estupro e 33 ocorrências de violência moral. Em 2025, até o momento, foram registradas sete ameaças, duas violências físicas, uma via de fato e sete casos de violência moral. “Isso é o que chega ao conhecimento das autoridades competentes, fora o que não chega, ou seja, as subnotificações que a gente fala”, destacou.
Por fim, relatou ter sido vítima de violência moral nas redes sociais. “Eu fui vítima, nas redes sociais, de calúnia, de difamação e violência moral, e sim, enquanto cidadã, já busquei meus direitos. Porque vocês não pensem que a internet é uma terra sem lei”, afirmou. Concluiu reafirmando seu compromisso com o trabalho sério e dedicado.
Julio fala sobre manutenção de parques e segurança, destaca coleta de lixo e comenta operação policial
O vereador Julio Fogaça (MDB) iniciou sua fala relatando visitas aos parques e academias do município, onde identificou problemas estruturais, como ferrugem e pichação. Informou que levou as demandas ao prefeito, que compartilha da mesma visão e está providenciando uma licitação emergencial para a manutenção dos espaços. “É uma licitação de manutenção e uma licitação também para ao longo do ano, de manutenção preventiva, manter sempre lubrificado, ver um local que está descascando, já faz o retoque de pintura, uma madeirinha que quebrou para não deixar chegar ao ponto que está agora”, explicou.
O vereador também levantou preocupações sobre a segurança nos parques, mencionando ocorrências de uso indevido dos espaços. Defendeu a instalação de câmeras de vigilância para evitar depredação. “Se colocasse uma câmera já ajudaria muito”, sugeriu.
Em seguida, comentou o início da coleta de lixos volumosos, destacando que a iniciativa foi organizada dentro do próprio governo, com caminhão e motorista próprios. Informou que os agendamentos já podem ser feitos pelo telefone 3444-6033, mas ressaltou que o serviço levará algumas semanas para normalizar devido ao acúmulo de resíduos já existentes. “Somos uma cidade pequena, organizada, queremos focar no turismo e numa cidade bonita, e precisamos resolver essa questão do lixo”, afirmou. Destacou que lutou por essa pauta desde o início do mandato, levando a demanda aos órgãos competentes e acompanhando de perto a implementação.
O vereador também mencionou uma reunião com o prefeito para debater políticas voltadas aos animais de rua, buscando melhorias na assistência a esses animais.
Por fim, abordou a operação policial que ocorreu no município, frisando que investigações não devem ser encaradas como condenações. “Ser investigado não quer dizer que você é acusado. Você pode ser investigado e inocentado”, declarou. Explicou que licitações seguem processos transparentes e que empresas de todo o Brasil podem participar dos pregões, o que dificulta a identificação de possíveis irregularidades. “Os que tiverem devendo vão responder perante a justiça. E quem não tiver vai seguir a sua vida normal”, concluiu.
Gilson alerta sobre julgamentos precipitados, defende investigações justas e critica sistema de licitações
O vereador Gilson Clemes (PL), presidente da Câmara, abordou a operação policial realizada em Cocal do Sul e outros 16 municípios. Ele afirmou que investigações são normais e necessárias, mas destacou que julgamentos precipitados devem ser evitados. “O Júlio foi muito feliz quando ele fala que não há problema nenhum em ser investigado, principalmente quando tu é servidor público, tu deve satisfação para a população e para as autoridades. O que a gente não pode fazer aqui, como a vereadora muitas vezes faz, é pré-julgar”, declarou.
Clemes ressaltou que cabe ao judiciário conduzir as apurações e que não se pode criar a impressão de que há criminosos na administração municipal sem provas concretas. Para ilustrar seu argumento, citou o caso de um reitor da UFSC que foi investigado, teve sua reputação destruída, tirou a própria vida e, posteriormente, foi considerado inocente. “Vai ser buscada a vida dele de volta? Foi destruída a vida do cara. Se destruiu a reputação dele em dois minutos. E daí, como é que faz?”, questionou.
O vereador também criticou o atual modelo de licitação, argumentando que frequentemente serviços são contratados pelo menor preço, sem garantir qualidade. “O sistema de licitação é um sistema falido. É um sistema que não funciona. Porque sempre você tem que contratar, teoricamente, o valor mais baixo e tu não recebe o serviço. Eu duvido, se tem uma obra em Cocal do Sul, nesses últimos quatro anos que eu estou aqui, que foi terminada e estava 100%”, afirmou.
Por fim, Clemes reforçou que qualquer irregularidade comprovada deve ser punida, mas advertiu contra acusações sem provas. “Acreditamos que todo servidor é honesto até que a justiça prove o contrário. Seguimos fortes, fiscalizando, seguimos fortes, querendo uma cidade melhor, mas sem acusar sem ter provas. Esse é o nosso papel aqui”, concluiu.
Confira a Sessão na Íntegra
A próxima Sessão Ordinária ocorrerá na terça-feira, 8 de abril, às 19 horas. Siga a Câmara Cocal do Sul nas redes sociais e fique por dentro dos principais acontecimentos do Poder Legislativo: Instagram – Facebook – YouTube.
Por Ana Paula Nesi